quarta-feira, 8 de abril de 2009

Numa noite como essa...


Numa noite como essa, eu estaria andando pela praia bem devagar, com o meu cão Pastor ao meu lado.Embora seja Outono, a noite está muito quente e muito aprazível para um passeio a sós, eu e minha alma sedenta de tranquilidade.Caminharia pela areia ainda quente pelo sol da tarde calma, sem vento, sem ruídos, sem medos...A Lua Crescente está bem à frente e acompanhada por Órion à sua esquerda, estaria olhando as estrelas, pois a noite está iluminada pelos pontos de luz infinitos, tão longe e no entanto, tão perto...Que calma! Que suavidade ! Que momento eterno!Estaria caminhando sem passado e sem futuro, somente o presente... feliz... em quietude infinda...Se o passado insistisse em se insinuar, eu filtraria somente as coisas boas, os momentos que me proporcionaram esse encanto... as vozes que me disseram ternas palavras, as pessoas que me apoiaram nos momentos obscuros... sem saudades... somente a recordação desses momentos, que ficaram para trás... que podem frutificar no presente, se eu permitir.Numa noite como essa, eu não queria ouvir nada, senão o eterno murmúrio do mar... que estaria me acompanhando onde quer que eu estivesse... me dizendo como é belo seu canto, como é suave a sua carícia, como é terno seu encanto...Andando calmamente, sem pressa, sem nada me chamando de volta, iria até uma cálida pedra e me sentaria olhando o infinito.Não teria a certeza de onde termina o mar e começa o céu... tudo é um só ser vivente... cada qual com suas particularidades, e eu sobre a rocha úmida e quente, também me sentiria como uma única nota nessa sinfonia noturna.Ah! Numa noite como essa, eu estaria envolta com a espuma das águas , e as ondas alegres estourariam sob os meus pés.Então... somente depois dessa plena comunhão com as delícias da Natureza, eu caminharia de volta à minha casa...Aquela casa que eu sonhei, de frente para o mar e de costas para a farta vegetação da Serra...Poderia estar um pouco cansada, e com os pés um pouco molhados... faria um delicioso café e iria saboreá-lo na varanda, até o sono chegar... e sonhar...outra vez...

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