segunda-feira, 25 de maio de 2009

Dias de "Adeus"

Eu nem tinha vontade de me sentar e escrever alguma coisa. Acabava de dar adeus a uma amiguinha de tantos anos! Amiga gente, gente mesmo. Aquela que sempre está prestes a ajudar sem querer nada. Tão doce, tão meiga...mas, uma doença horrível que eu nem gosto de nomear, foi acabando com ela. Durante cinco anos ela lutou contra esse mal. Nada adiantou, e ela foi indo...foi indo e nos deixou com uma saudade sem nome. Tomara que os anjos a tenham recebido em seu jardim de flores etéreas.
Depois, outra amiguinha, uma cachorrinha que veio ainda bebê. Durante 13 anos foi companheirinha. Medrosa e assustada, apanhava de uma cadela muito maior. Foi mordida, foi perseguida até ficar sofrendo de convulsões. Tomava gardenal! Seu olhar era humilde e triste. Único momento de alegria (depois que a outra foi embora)era e hora que eu chegava em casa. Ela latia, dava voltas em si mesma,e se eu a acariciasse,vinha mansamente, cabeça baixa, receber o carinho que eu fazia.
Mas, aquela doença horrível também a acometeu. Por que? Já não tinha sofrido o suficiente?
Foi abandonada num terreno. Viveu sob o medo diário, era pequena e sem beleza. Por que?
Assim, a doença foi consumindo o seu corpinho. A magreza crescia assim como crescia um câncer na boca. No primeiro sangramento, pensei que fosse um dente abalado. Era já tão velhinha!
Mas aquilo foi tomando conta de toda boca, mal dava para comer...então, comecei a fazer papinha de ração. Em pouco tempo, muito pouco tempo,nem água conseguia tomar... Ó Deus, por que?
Protelei o máximo a sua partida! Até que de um dia para o outro, todo o pescoço estava inchado, e foi crescendo...a médica já tinha diagnosticado:- "Esse é o pior tipo e o mais doloroso câncer! é câncer ósseo." Por quê?
Então o dia chegou! Fui com ela para o consultório. A eutanásia estava marcada. Ficamos juntas, segurando sua cabecinha entre as mãos. O seu olhar era tão triste! Eu sentia uma entrega ao seu destino. Deitou-se de lado sem fugir das minhas mãos e recebeu a injeção fatal.
Pronto. Acabou o sofrimento. Mas deixou uma saudade ilimitada por todos os lugares que passou. Na caminha toda forrada, na porta olhando para mim, no sol do quintal.
Lá se foi a Nenê, minha cadelinha pequenina e assustada, levando com ela todo o carinho que dedicamos. Quem sabe, também exista um jardim de flores etéreas para os animais, e sendo cuidada pelos anjinhos carinhosos. Adeus, minha amiguinha. Um dia quando eu também me for, talvez possamos nos encontrar nesse jardim encantado.Assim, todos aqueles entes queridos, sejam animais , plantas ou pessoas, estarão outra vez juntos, vivendo sem dores, só de uma energia vivificadora, para toda a eternidade!
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