terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A primeira cigarra

Mal começou a esquentar o tempo, já se escuta o cantar das cigarras.

Semana passada, eu estava distraída e de repente, fui levada por um som tão gostoso! Era ela, logo ali perto. Uma outra mais adiante, som distante...
Lembra quintal de avó... cheiro de manga no ar...manhãs quentes..tardes quietas.
Saudade de quando a vida passava e nem se percebia; da alegria das férias depois de exames tão difíceis do colégio.
O canto da cigarra me seguia e eu nem dava conta,que mais tarde...muito mais tarde, ela ma traria tanta saudade!
Até na beira da praia, quando juntávamos para tocar violão, com a pele queimada de sol, cabelos ao vento...
Saudade que a gente sente, quando a vida vai declinando,
e as lembranças se tornam tão vivas como se fossem presentes...
A Vida passou, e talvez ainda venham muitas mais experiências, e o que passou, passou....Não , não passou! tudo foi guardado no íntimo do meu ser. E, eu posso trazê-las de volta, quando eu bem entender.
Saudade é uma coisa boa. Pior seria, se eu não tivesse nada para recordar. Se eu não tivesse nada para ter saudade.
Saudade pode até doer no peito cansado e antigo, mas, foram momentos coloridos e musicais que levarei comigo para todas as vidas que me forem concedidas.
Ouvindo a primeira cigarra, minha alma se regozija! Eu viví! Viví como tantas outras, sem perceber que aqueles momentos seriam gravados na minha alma! Mas, hoje, embalada nesse som, eu posso recordar de como a Natureza é bela!
Que eu posso me integrar com ela e vivenciar de toda sua plenitude, nesse embalo sutil e doce...